terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O gole de vinho


Foi pelo gole de vinho ou pela solidão
Que meu peito esquentou e chorou na ocasião
Em que estava de pé, na ponta do abismo
Pensando no passado e no tempo perdido
Esquecendo-me de quem sou
Com a culpa remoendo a cicatriz que causou
Sem me deixar descansar, ou me livrar do sofrimento
Pois algo aqui dentro atiça meu tormento
Como a lança do diabo fincando meu pensamento
Agourando meu coração
Embriagando minha razão
Uma alma sem vida
Com a visão turva e deprimida
Sem emoção e profundidade
Já sem chão na realidade...


... no gole de vinho, perdi minha sanidade
com vinte anos de idade.


Daniel da Silva Vieira.
Data 22/02/2011








A gota de sangue

Se no tormento das emoções em que estou aprisionado
E da tempestade que perturba e causa angústia eu não escapo
Um desejo profundo de mergulhar em meu passado
Afigura-se aqui diante como um espelho ambulante
Uma imagem fria e sem vida, odiosa e irritante
Mata-la-ei sem piedade 
Se és imagem minha, sou maldade
Se sou eu ali, digno de piedade
Verdadeiro culpado, desmereço a felicidade
Para mim a morte ou o estupor
Para mim a vingança de um vingador
O final de um homicida
Uma simples escultura, rachada e sem vida
Partida pelo tempo, desgastante tormento
No sofrimento de quem sofre por nada
No sentimento da palavra cantada
Num desabafo confuso e tonto
Minha ultima gota de sangue pinga na folha...
escorre e derrama... e marca o ponto.



Daniel da Silva Vieira.