quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Patranha

Minha amada de novo narra seu dia burlesco
Numa velocidade que congela seu aspecto pitoresco
Parafraseando em pantomima, num dito romanesco
Onde até o som dos carros torna o ato jogralesco

Patranha! - eu penso, mas claro, nada digo
Reivindicações que hoje vivem em minha mente, meu jazigo
Ela á hábil em admoestar os meus protestos, meu amigo.
E meu brado já não passa pela porta (um postigo)

Como a um cão eu ouço ela fleumaticamente me adestrar
Me falando de seu dia para intencionalmente me amofinar
Mas antes que pense que sou egoísta ao desabafar
Pense que não é você, aqui, a escutar!

 


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Às minhas doces idéias

"A vontade de virar a noite com vocês, minhas amadas, só Deus pode descrever. Mas o bocejo sempre é mais forte, e o dia clareia com o dever de cada dia, num sufocado grito de liberdade do galo que me obriga a colocar a gravata".

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Amanhecer de um vampiro

No nascituro e fausto oscitar da manhã
Que afasta o obducto sengo noturno
Do augúrio ingênito corolário maduro
Repousando seu hausto de haurir num divã

Sangrando-se a sós vislumbrando o carmesim
Como um abantesma numa veneta funesta
Como um anacoreta que deflora e infesta
Onde a aurora frugal pisca-lhe num estopim

Devolvendo-o a inópia e a escuridão
Ávido do licor espesso e purpúreo
Dormitando sequioso com um avesso murmúrio
Mórbido e sedento, em fúnebre caixão.