quarta-feira, 15 de junho de 2011

O resgate da alma

Meus olhos se fecham e minha mente se abre...uma sensação de leveza me domina.
Sinto-me flutuando como uma pena sobre a brisa...numa altura extrema onde a mente desliza. 
Neste instante desaparece a gravidade, e eu caio do abismo...para um oceano de verdades.
Criaturas me robeiam, e vejo seus olhares famintos de clemência...na mais sincera demência.
Algumas me falam com eloquencia, porém vagando entre a ilusão e a arrogância....sem esperança.
Sem chance de mudança com gotas de lágrima...pois a chance que foi dada, foi por eles desperdiçada
Facistas, egoístas, suicidas...criaturas rebeldes que embreagam a vida.
Pergunto: porque em nome de Deus fazeis isso a vós...E olhares incriminadores respondem: És um de nós!
 Claro...agora percebo pois vivencio o Umbral...a terra prometida após a partida sepulcral
Para todos os infelizes que deserdiçaram seu tempo...Para mim que jogava fora, palavras ao vento.
"Que veneno", penso, que é a incompreenção...uma preguiça mental em evoluir a razão.
Uma chaga triste do homem que vive em vão...
Que mata não só o corpo, mata a alma e o coração.

***

terça-feira, 14 de junho de 2011

O primeiro Mulato

Ele ouviu a voz
Do amargo algoz
Em fugir pensou
Mas estaria a sós
E nem relevou
Ou ponderou
Sobre a dor atroz
Da solidão em nós 
Então errou
Correu, tropeçou
Morreu pelo verdugo que o enforcou

Pendurados
Balançam enforcados
Só se vê os nós
Da corda enlaçada
Imagem da morte
Do negro sem sorte
Que perdeu a amada
Pela chibatada
A impotência do olhar
E com as mãos amarradas
Pregadas na enxada
Testemunhando a cólera
E um grito de fúria!
Mão branca em pele escura
E do estupro nasce à mistura
O descendente da loucura
Uma criança de alma pura

O primeiro mulato
Nascido um escravo
Sem nem um centavo
Do homem mais bravo
Seu pai, o branco
Sua mãe, a negra
Do ódio que cega
De um mundo sem regra
Da violência bestial
Do empório do mal
O nascido das sombras
Olha o sangue em suas roupas
E treme de medo
Perdendo o sossego
Ao ouvir a voz
De seu amargo algoz...



quinta-feira, 9 de junho de 2011

O fracassado

"Ando de ré
E não sigo a maré
Mas sinto a corrente
Que impulsina a gente
Nos coloca de pé
Para seguirmos em frente
Como um sobrevivente
Prefiro viver
Lutar e perder
Mas lutar para valer
Com os punhos cerrados
E os olhos fechados
Silenciosa oração
Do ser condenado
Pelo coração
Sou o amotinado
Nesta geração
Blasfemo cansado
Na ecuridão
De meu próprio quarto
Memórias que guardo
Lembranças que gravo
O puro escravo
Da própria dor
Do próprio amor
Das próprias idéias que causam horror
 Da culpa que insulta
Da vida labuta
Um verdadeiro filho da..."


Daniel da Silva Vieira.