terça-feira, 14 de junho de 2011

O primeiro Mulato

Ele ouviu a voz
Do amargo algoz
Em fugir pensou
Mas estaria a sós
E nem relevou
Ou ponderou
Sobre a dor atroz
Da solidão em nós 
Então errou
Correu, tropeçou
Morreu pelo verdugo que o enforcou

Pendurados
Balançam enforcados
Só se vê os nós
Da corda enlaçada
Imagem da morte
Do negro sem sorte
Que perdeu a amada
Pela chibatada
A impotência do olhar
E com as mãos amarradas
Pregadas na enxada
Testemunhando a cólera
E um grito de fúria!
Mão branca em pele escura
E do estupro nasce à mistura
O descendente da loucura
Uma criança de alma pura

O primeiro mulato
Nascido um escravo
Sem nem um centavo
Do homem mais bravo
Seu pai, o branco
Sua mãe, a negra
Do ódio que cega
De um mundo sem regra
Da violência bestial
Do empório do mal
O nascido das sombras
Olha o sangue em suas roupas
E treme de medo
Perdendo o sossego
Ao ouvir a voz
De seu amargo algoz...



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