quinta-feira, 19 de abril de 2012

Amanhecer de um vampiro

No nascituro e fausto oscitar da manhã
Que afasta o obducto sengo noturno
Do augúrio ingênito corolário maduro
Repousando seu hausto de haurir num divã

Sangrando-se a sós vislumbrando o carmesim
Como um abantesma numa veneta funesta
Como um anacoreta que deflora e infesta
Onde a aurora frugal pisca-lhe num estopim

Devolvendo-o a inópia e a escuridão
Ávido do licor espesso e purpúreo
Dormitando sequioso com um avesso murmúrio
Mórbido e sedento, em fúnebre caixão.   

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Esperar que caia do céu

Aprendi a amar odiando
Distanciando-me da realidade
Sentindo a paz na ira

Quando uma pomba branca voando
Das tantas desta cidade
Trouxe-me mantras e esta lira

Que em meus ombros veio pousando
Postulando sua deidade
E resgatando-me da mentira

De viver sendo nefando
Estimando a vaidade
Como estima-se a safira

Mas o cristal mais precioso
Que recebi nesta visão
Não foi apaziguar

Pois no caminho ocioso
Onde percorre o coração
A paz não vê lugar

E o sentimento glorioso
Que nos impõe a compaixão
Vem após muito lutar

Quando o ser é corajoso
Busca na escuridão
Esta forma de amar

terça-feira, 17 de abril de 2012

Sobre o autor

Atrás dos muros da fantasia
No palácio da imaginação
Indo além do vale abstrato

Encontra-se a magia
Existente no coração
Do narrador deste relato

Que tomado de alegria
No ápice da emoção
Enlouqueceu de fato

Ouvindo uma melodia
Mergulhado na ilusão
De seu dom inato

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Domador

Agressividade

Apaixonei-me por ela
Uma donzela sem atrativos
Que mesmo não tão bela
Zela no rosto o semblante altivo.

Um mistério de mulher
Com arrogância disfarçada
E o fulgor de seu poder
Deixou minha razão ameaçada

Se pelo menos a luz do sol
Ofuscasse-me de tal maneira
Compará-la-ia neste rol
De cegueira passageira...

Mas penetrante foi o olhar
Que lançou-me em resposta
Como elas fazem a provocar
O que homem nenhum gosta...

Enquadro em meu devaneio
Ela me veio de face rígida
E como receava (ainda receio)
Não existir fêmea mais frigida

Esbofeteou – me de tal forma
Que corri trôpego, rua a fora
Caindo numa sarjeta morna
De onde a olhava indo embora.

Mas apaixonei-me mesmo assim
“Pelo Diabo em pessoa”...
Qual um anjo para mim
Que profundos sonhos ma ressoa

E como isso termina
Bem... Estou casado
Com a caçadora feminina
De coração aprisionado

Pois na verdade, pensando bem
Eu que fui o agressor
Dando murros em ponto de faca sem
Desistir, jamais, do amor.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Visão de um zagal em Zaragoza

“Zombaram do zumbi quando zurzido em certa zaga
Zunindo à zorra com zanga
Pois o ouviam como o zurrar de um zureta
Naquela zaragata que deixaria zonzo até o zoilo que também zomba do zé-povinho
Que não faz nada além de zelar por um zéfiro que caia do céu como um zumbido... 
Um zapear zodiacal”.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Tensão

"Cubra-se donzela
Fique às ocultas na pré-noitada
Guardando essa volúpia que zela
Como uma paixão enclausurada... 
E quanto a restrição
Que a deixa trôpega em tal relutância
Não te esqueças de orar
Pois a aflição de sua ânsia
Saciar-se-á".

sábado, 7 de abril de 2012

Medo e delírio

     Já estava acamado em meu leito, num momento perfeito. Olhando para cima, quando o sono vacila. Foi uma rima, surgindo no escuro. Tão puro e tão pura era aquela abertura, se abrindo e fechando - um leque abanando, soprando-me sonhos em versos medonhos e imagens divinas... Como a mescalina...

     Em suspensão, tempo atemporal. Estou morrendo? Sou imortal? Esta sonho terá final? É sonho ou tudo é real? Meu Deus, onde estou? Onde a rima me levou? Não importa, se fechou. Provocou um mistério que não revelou...

     Foi viajem estral ou sonambulismo. Tomar muito vinho pode dar nisso. E desprendido, eu volto no tempo. Voltando para o mundo no qual não sustento, pensando a fundo no meu pensamento, e escrevendo relances que capto, sem jeito.

E com um terço tosco no peito, notei que... ainda estava acamado em meu leito.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O escritório

Carinhas cansadas, com sono, desanimadas
Véspera de páscoa, sem pila, sem nada

O clima abafado, prenunciando a chuva
O trabalho desmotivado, o corpo que reluta

E agora está chovendo
Do lado de fora, do lado de dentro
Em lágrimas contidas, pela vontade reprimida...

O mundo, o tempo
Sei que gira, mas tão lento
Que controverso tudo passa
Que contradigo - que me afasta...

Oh! Cubículo sonâmbulo
Oh! – E se ouve um relâmpago...

Esqueci-me da chuva, divagando em lírica
Teatral e satírica
Mas que deprime a mímica
Destas horas empíricas.

Sim! Não há ciência
Talvez eloqüência jurídica...

Oh, contabilidade fatídica!