sábado, 7 de abril de 2012

Medo e delírio

     Já estava acamado em meu leito, num momento perfeito. Olhando para cima, quando o sono vacila. Foi uma rima, surgindo no escuro. Tão puro e tão pura era aquela abertura, se abrindo e fechando - um leque abanando, soprando-me sonhos em versos medonhos e imagens divinas... Como a mescalina...

     Em suspensão, tempo atemporal. Estou morrendo? Sou imortal? Esta sonho terá final? É sonho ou tudo é real? Meu Deus, onde estou? Onde a rima me levou? Não importa, se fechou. Provocou um mistério que não revelou...

     Foi viajem estral ou sonambulismo. Tomar muito vinho pode dar nisso. E desprendido, eu volto no tempo. Voltando para o mundo no qual não sustento, pensando a fundo no meu pensamento, e escrevendo relances que capto, sem jeito.

E com um terço tosco no peito, notei que... ainda estava acamado em meu leito.

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