sexta-feira, 26 de agosto de 2011

As duas asas da paz

Entregar-se de corpo e alma ao comodismo intelectual
E desperdiçar a chance de consolidar a razão sentimental
É o mesmo que jogar a vida fora
Como um ser que vê e sente, mais a fé ignora.

Pensar no próximo passo após descobrir que pensa
Sanar o ateísmo, e dar espaço a crença
É ajustar o equilíbrio da natureza humana
E ver além dos olhos que a matéria engana


Daniel da Silva Vieira.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Carta para a família.

“Mãe, obrigado pelo seu ventre que formou meu corpo e me deu sustento. Pela união da vida, o cordão umbilical de nosso tempo. Pelo sopro de luz que me deste até este momento, e pelos mais simples e mais profundos ensinamentos.”

“Meu pai, que me ensinaste a respeitar, a ouvir e a pacificar. Que guiaste meu caminho, com um sino a tilintar. E mostraste-me como se deve agir e à quem devo amar. Agradeço-te pelas provas que formulaste, e ao pesar, para das correntes da ignorância eu me libertar.”

“Meu irmão, tão sábio e pequenino. Como um anjo experiente num corpo de menino. Iluminou meu olhar, meu coração, meu destino. Dou-te meu amor, pois me deste o divino.”

“E meu coração dispara ao pensar na vastidão de criaturas que nos circundam nessa estrada de evolução. Tão extensa é minha família - seres do espaço, seres do chão, que uns vivem na luz outros na ilusão. A todos estes seres, espiritualizados ou não, revelo-lhes esta carta em pró de nossa união.”

Daniel da silva Vieira.



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A Consciência.

Por um instante esqueci quem sou
pois a cólera se apoderou
do meu coração
E o ser primitivo em mim voltou,
das jaulas do tempo escapou
e sua reação
Em nada demonstrou evolução
ou compaixão
Apenas demência,
loucura que assusta - embriagando o caminho das provações justas
Com garras e dentes, pronto para atacar
Bestial ser humano com fúria no olhar

Tento me controlar,
possuído pelo medo
daquela criatura que me tira o sossego...
mas já estou cego.
Cego de raiva, cego de ódio.
Quando chegará o fim desse episódio?
Quando irei acalmar este leão faminto
que domina meus sonhos
Pensamentos medonhos,
de morte, de dor...
A fera que do sangue sente o sabor

Mas não,
não irei derrotá-lo
Irei abraçá-lo
com amor, e guiá-lo
No caminho da luz,
pelo sinal da cruz - ajoelhar-me com ele em frente a Jesus
Senti-lo feroz,
mas aquietá-lo com a voz...
Aquela que espalha bondade entre nós
e fala que nunca estamos a sós
Que modifica a tristeza em esplendor e beleza...

Me refiro a voz da própria
Consciência.


Daniel da Silva Vieira.







sábado, 6 de agosto de 2011

O resgate da alma II

Mas eis que vejo no horizonte um cavalo branco...flutuante
Seria Deus, seria um anjo? Meu Deus, o que será!
Por onde passa reflete luz, faço num gesto o sinal da cruz
Eu nunca imaginaria, nem em meus devaneios, um ser magestral flutuar sem receio
Sobre o Umbral...com criaturas horrendas
Numa paz que desconheço a expressão pra explicar - foi como viver uma lenda
Apenas olhar o cavalo brilhante me fez chorar e amar o instante
Amar o presente, amar o momento...amar o tempo e o vento
Com ele subiram muitos de nós...eu fiquei, mas afirmo todos a vós
Que um século passou e o cavalo não voltou à nós.
Não voltou à mim, enfim, aqui a sós

***

Continua...






O Aleph

Obrigado pela paz, pela saúde, pela dor
Pelo amor, pelas virtudes, pelo olhar
Por sentir, por beijar, por sorrir
Por sofrer, por voar, por morrer
por ser, por estar, por existir....

Agradeço, com dor no peito por não acreditar
que conheço, que mereço, que vivo, que vejo
que beijo, que faço, que mato, que sou
que tento, que choro, implorando perdão
implorando amor - um implorador
Um sonhador...

Obrigado senhor, obrigado senhora
Por estar presente, aqui e agora.
Obrigado fulano
Por ser insano
Neste insano mundo insano
e ao insano padre que prega
e ao insano ateu que nega
e ao insano dom da arte

E por não me amar de verdade
por me tratar com piedade
por não me ter em seus sonhos
por me matar em seus sonhos
e por seus sonhos...estranhos

Voce, aí comigo, agora
Minhas palavras circulando sua mente
Não são mais palavras somente
Como a semente que cresce e aflora
Minha vida está em você
E saiba que meu tempo aqui
Foi escrevendo só para ti
Neste momento que você me lê

No olhar que revela a intensa magia de viver um instante
Agradecendo a tudo que exista e existiu...e que virá adiante
Ao que será e ao que foi
Ao que foi e ao que será
Ao que será e ao que foi
Ao que foi e ao que será
Ao que será e ao que foi
Ao que foi e ao que será
Ao que será e ao que foi
Ao que foi e ao que será
Ao que será e ao que foi
Ao que foi e ao que será
Ao que será e ao que foi
Ao que foi e ao que será
Ao que será e ao que foi
Ao que foi e ao que será
Ao que será e ao que foi
Ao que foi e ao que será
Ao que será e ao que foi
Ao que foi e ao que será
Ao que será e ao que foi
E ao que está.





Daniel da Silva Vieira.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A centelha

Um dia resolvi descobrir as causas da minha felicidade. Olhei para minha família e vi ternura e dignidade. Foi aí que percebi as raízes da felicidade, das quais crescem como fibras no solo da humanidade.

Olhei também para os meus amigos, os ignorantes e os sabidos, e vi que a amizade é a escritora de um belo livro. Onde os caminhos cruzados criam a história dos conflitos, para a felicidade se calçar e fortalecer no infinito.

Refleti no trabalho e em nossas obrigações, naquela energia gasta que enobrece os corações. Nesta esfera percebi que nossos esforços são portões, que preservam a felicidade num baú de emoções.

Pensei bastante sobre a alegria, sobre as pessoas que vemos sorrir
em amplo momento de euforia. São como as flores da primavera
em sintonia que a beleza ilumina, essas pessoas que sorriem nos irradiando a vida.

Então chorei felicidade, molhando a folha que escrevia. Preenchi minhas tristes lembranças de compreensão e sabedoria. Pois senti que toda a minha vida foi resumida neste momento para descobrir a centelha divina da reflexão de um sentimento.

Daniel da Silva Vieira.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A guria

Você, melodia vibrante, me inebria num tom cativante
em sintonia com meu espírito errante, irradiando-me paz neste instante.
Sobre o sol
Sobre a lua
Sou de casa
Sou de rua
Onde está eu estou.
Pra onde vais eu também vou.
Quem tu és eu também sou.
E com o amor que me tocou
A guria
Que sorria e transbordava alegria. Que fugia da tristeza com beleza e harmonia
Evaporou
E a dor deixou, pois o amor se apagou.
Mas sobre o guia estrelar te procurei de norte a sul, no desejo de amar e desnublar o céu azul
Então fingia que nem sentia a fincada de sua espada do olhar seco e já vazio, do frio
estagnado no meu peito incendiado.
Quem tu és criatura fria, sensual excitante. Neste eterno instante, provavelmente tu seria
o que todo ser amante abandonado cantaria...
"A guria
O corpo nu
És tu
Melancolia."



Daniel da Silva Vieira.